Por que o mercado aposta em corte da Selic mesmo com inflação acima

da meta?

Inflação acima da meta, expectativas piorando, fiscal deteriorando e guerra sem resolução. Com esse cenário, o mercado aposta em corte da Selic em junho com quase 100% de probabilidade. A lógica existe, mas depende de várias coisas darem certo ao mesmo tempo.

Veio. Subiu 0,62%, acima dos 0,56% esperados. A inflação acumulada em 12 meses foi de 4,3% para 4,6% — desviando da meta de 3%. Não é acidente: são dez semanas seguidas de revisão para cima no Focus.

O IPCA-15 de maio veio acima do esperado?

É quando o mercado para de acreditar que a inflação voltará à meta — e começa a precificar preços mais altos no futuro. As projeções para 2026 já passam de 5% e para 2027, de 4%. Expectativa desancorada vira inflação real.

O que significa expectativas de inflação desancoradas?

Sim. A dívida bruta está em 80% do PIB, com juros de 12% ao ano — enquanto o PIB cresce 2%. O numerador cresce seis vezes mais rápido que o denominador. Em ano eleitoral, a pressão para gastar agrava esse quadro.

A dívida pública brasileira é um risco real para os juros?

Porque negociações em torno do fim da guerra animam o mercado. Se o Estreito de Ormuz reabrir, petróleo e alimentos ficam mais baratos — e o BC teria janela para cortar antes do ciclo eleitoral dificultar tudo.

Por que o mercado aposta em corte da Selic mesmo assim?

É possível, mas arriscada. O upside de tudo dar certo — guerra acabar, inflação ceder e Selic cair — já está precificado. O downside de qualquer uma dessas apostas não se concretizar ainda não está totalmente refletido nos preços.

Essa aposta do mercado é segura?

Preferir renda fixa com proteção. Tesouro Selic remunera bem sem exigir que nenhuma aposta se concretize. Tesouro IPCA+ protege se a inflação persistir. Ambos têm relação risco-retorno superior à Bolsa com juro real acima de 7,5%.

O que fazer com a carteira nesse cenário?

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O cenário favorece proteção, não aposta. Entenda melhor por que essa distinção importa para a sua carteira agora.

O mercado aposta em corte da Selic — mas o risco assimétrico está sendo ignorado